terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Beijamim

Meu pai tinha morrido naquela semana. A Herança era minha. Estava milionária, mas sem o meu pai, coisa mais preciosa que eu tinha.

 Uma mulher ameaçou matar os meus amigos e parentes próximos se eu não casasse com ela. Mas eu não sou lésbica. Mas prefiri não arriscar. Na próxima semana eu me caso. Com uma pessoa que eu odeio, uma mulher que só pensa em dinheiro. Eu disse pra ela que daria o dinheiro se ela me deixasse em paz, mas ela não acreditou e disse que preferia "se garantir".

Contei a história ao meu melhor amigo, Beijamim, de 17 anos, meu motorista. Sim, Beijamim, e não benjamim. Ele disse que eu não podia me casar. Ele disse que eu não podia estragar a minha vida. Mas eu não arriscaria a vidas das pessoas que eu gosto, principalmente a do Beijamim. Gosto muito dele. Mas não gosto só como amigos, gosto dele amorosamente também. Só não sei se ele sente o mesmo.

O dia. O dia em que eu ia me casar com aquela vigarista, obrigatoriamente. Ela organizou uma cerimônia em um lugar que parecia uma igreja toda de madeira. Algumas flores do lado dos bancos. Eu tinha colocado uma blusa tomara-que-caia branca com detalhes de algumas pedras brilhantes e um short branco. Mas coloquei a saia longa branca clássica por cima do short, e aí ficou parecendo um vestido.Ela estava com aquele sorriso na cara como se tudo estivesse bem. Mas não estava. Não pra mim. Ela estava lá dentro, e eu prestes a entrar. Beijamim estava a 5 passos a frente de mim e 15 passos da minha esquerda. Ele não queria aparecer. A Igreja não era muito bem iluminada. 

Na hora em que o padre perguntou: e Você (falando para mim) aceita se casar com ela? eu olhei para as pessoas nos bancos que eu nunca havia visto, e respondi: Não mesmo. E todo mundo ficou de boca aberta. Eu ranquei a minha saia longa, ficando apenas com o tomara-que-caia e o short branco, e a vigarista disse: se eu fosse você dizia sim, para não perder seus amiguinhos. 

Eu disse mais alto ainda: NÃO! E corri em direção ao Beijamim. Segurei na mão dele,  e corri para fora da igreja, sem que as pessoas pudessem ver o rosto dele. E antes de entrarmos no carro apressadamente, olhei bem nos olhos dele, e lhe dei um beijo. Que beijo bom. Ele não disse nada e ficou parado por um segundo, e depois entrou com um sorriso no carro junto comigo. Um sorriso tanto agradável.

Fomos para um hotel, com as minhas malas e a dele (eu havia pedido antes para ele deixar malas com roupas dele no carro, ele não entendeu na hora, mas eu falei que depois eu explicava), E passamos a noite ali. 

Esqueci de alguns detalhes: Só tinha cama de casal, então tivemos que dormir juntos (para minha felicidade). Antes de dormirmos, a gente se sentou na cama e ele me perguntou o porque do beijo. Eu disse que eu o amava. Que eu o amava a um bom tempo. Ele sorriu, segurou no meu rosto e me deu um beijo, e depois nos deitamos e dormimos. E a vigarista? As pessoas de quem eu gosto continuam normais e seguras e depois nunca ouvi falar daquela mulher.


E aí eu acordei :/

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